cultura chinesa - conduta marcial
27 de fevereiro de 2016

Hierarquia Marcial

Os princípios hierárquicos representam a base que assegura a perpetuação do kung fu através dos tempos. Sem tais princípios esta arte marcial chinesa seria um amontoado de socos e pontapés com a finalidade somente de desordem social. É graças á hierarquia de cada ‘família-kung fu’ que a arte é tida desde os tempos mais remotos como instrumento de moldação do caráter humano, garantindo assim, exemplos de moralidade e retidão espiritual.

 

A hierarquia dentro do kung fu é semelhante àquela usada pelos povos antigos, onde o pai exercia o papel de líder, cabeça responsável pelo sustento e educação (disciplina) dos seus filhos e esposa, o que não deixa de ser uma maneira peculiar de governar. Caso o pai se ausentasse, caberia ao mais velho (esposa ou filho mais velho) proteger e zelar pela ordem da casa. Com a morte do pai, cabia ao filho mais velho defender os mais novos até que cada um adquirisse estrutura suficiente para resolver seus próprios problemas, constituir uma família etc. 

 

Sem hierarquia não haverá respeito, sem respeito não haverá disciplina; sem disciplina não haverá ordem, sem ordem não haverá equilíbrio. Sem equilíbrio não haverá vida (continuidade). Por este ângulo, percebe-se a importância da hierarquia na perpetuação de uma ‘família kung fu’, onde o mestre (sifu) é o responsável pela veiculação de um estilo. O sifu é a autoridade máxima dentro de uma família-kung fu, seguido pelos seus alunos e discípulos.

 

De acordo com a tradição, o Aluno Novato deve obediência ao Aluno Mais Velho, que deve obediência ao Grande Aluno Mais Velho, que deve obediência ao ‘Aluno Discípulo’, que deve obediência ao seu Sifu (mestre-pai).

 

A hierarquia deve ser alimentada para que a arte não perca sua essência. Os bons hábitos devem de início, ser uma obrigação para que com o tempo se tornem naturais. O aluno mais velho deve servir de exemplo aos mais novos que, mais tarde, servirão de espelho aos recém chegados. Como diz o dito popular, o hábito faz o monge.

 

O bom aluno (de boa conduta, disciplinado e esforçado) tem mais chance de ser um bom professor. Enquanto que um aluno indisciplinado, de péssima conduta tem mais chance de ser um professor problemático, irresponsável.

 

É de cedo, enquanto o bambu ainda é jovem que deve se moldá-lo ao modo correto, na forma desejada. É de cedo, quando ainda jovem que o aluno praticante deve experimentar o caminho da retidão, da boa conduta; educado nos princípios filosóficos da arte marcial escolhida.

 

Etiqueta Marcial

 

Não é correto exibir seus conhecimentos marciais, exceto quando estritamente necessário;

 
Nem correto se meter em encrencas, exceto para defender sua vida ou a de outrem, quando estritamente necessário; 


Escolher com sabedoria a comida, bebida, amizades e lugares para frequentar; 


Ao chegar ao recinto marcial o aluno deve saudar (cumprimento tradicional chinês) o local. O gesto é silencioso, a linguagem deve sair do coração, sem hipocrisia. Após saudar o local o estudante cumprimenta (sempre com os gestos tradicionais) de modo particular, o sifu e, em seguida, cumprimenta de uma só vez, seus ‘irmãos-kung fu’; 


Antes de dar início à aula todos devem cumprimentar o mestre. Se por acaso a aula for iniciada por um aluno mais velho, o mesmo cumprimento é usado para ele como sinônimo de respeito. Ao fim do treino os mesmos gestos de saudação devem ser realizados;

 
Ater-se aos exercícios e acatar as explicações do mestre; 


Ser solidário com seus colegas de treino e ajudá-los quando necessário; 

 

Ser aplicado e nunca esquecer as lições; 


Ser civilizado e nunca se enfurecer; 


Não se deixar levar pela preguiça e torpor; 


Ater-se ao próprio treino e não ficar de conversa com o colega; 

 

Zelar e manter limpos o uniforme e o próprio corpo; 


Zelar, manter limpo e organizado o local de treino;

 
Não fazer uso de equipamentos e aparatos de treino sem permissão do mestre; 


Não praticar técnicas que ainda não lhes foram ensinadas; 


Evitar praticar técnicas avançadas diante de alunos novatos ou de pessoas desconhecidas; 

Ser cortês e gentil para com todos; 


Trabalhar pela proliferação da arte e da ‘família-kung fu’; 

 

Evitar falar mal de outros estilos e professores; 


Zelar pelos princípios hierárquicos e genealógicos da escola;  Calar-se quando o mestre ou um colega estiver falando; 


Sentar-se somente depois do mestre; 


Permitir ao mestre andar sempre à sua frente; 


Na necessidade de se ausentar do recinto, o aluno nunca deve fazê-lo saindo pela frente ou pelo meio da classe e sim, por detrás dela; 


Ao tomar chá, o aluno deve esperar que o mestre o faça primeiro; 


Caso o mestre do seu mestre (avô-kung fu) esteja no recinto de treino, ele deve ser digno primordial de atenção e respeito; 


Repetir o mesmo exercício ou técnica quantas vezes o mestre achar necessário; 


Entender que quando o mestre insiste numa técnica específica para cada pessoa, está aprimorando o wing chun kung fu de acordo com cada físico; 


Defender o estilo e ser fiel à sua tradição; 


Não é correto pedir ao mestre para ser ensinado uma nova técnica. O mestre sabe o momento certo de fazê-lo; 


Nenhum exercício ou técnica deve ser transmitido sem o consentimento expresso do mestre; 


O aluno deve sempre se dirigir ao mestre de acordo com os princípios hierárquicos e genealógicos de sua arte; 


O casaco (blusão usado no kung fu) tradicional serve para diferenciar o mestre do aluno. Não é correto ao aluno não graduado fazer uso da veste; 


Cada aluno deve fazer uso do uniforme condizente ao seu estágio de graduação; 


Não é correto fazer uso de uniformes (símbolos etc.) pertinentes à outra família ou estilo. Tal atitude caracteriza como atos de desrespeito e traição; 


Não é ético fazer uso do uniforme fora do recinto de treino, exceto em ocasiões especiais;

 

O aluno deve esforçar-se em aplicar os preceitos do kung fu tanto no convívio familiar quanto no social.